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Heteronormatividade – Giba
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A homonormatividade não existe.

Minha proposta é a de questionar o uso do conceito de homonormatividade. A ideia não é fazer um policiamento do que viria a ser um uso correto dos conceitos, mas porque acredito que esses usos problemáticos têm implicações políticas muito sérias e concretas, como pretendo demonstrar ao final deste texto.

Qual a diferença entre homofobia, heterossexualidade compulsória e heteronormatividade?

Ultimamente tenho observado que algumas pessoas usam esses termos como sinônimos ou de forma equivoca, na maioria das vezes substituindo homofobia por heteronormatividade.

Embora os termos nos remetam à uma diferença e uma tentativa de dar conta de uma realidade, esses três fenômenos se tocam, não são tão inseparáveis e talvez por isso a confusão, sem falar que, ao surgir um termo novo, as pessoas aderem a um certo modismo e, por isso, pode ser que a palavra heteronormatividade venha sendo usada com tanta frequência.

A invenção da heterossexualidade e homossexualidade

A julgar pelos comentários deixados nesse blog, suponho que o número de pessoas que acreditam que o mundo se divide naturalmente entre homossexuais e heterossexuais seja enorme. É uma crença que muitos militantes/ativistas LGBTs e homofóbicos têm em comum. O que muda é o que cada um pensa a respeito dos sujeitos, mas a divisão é pouco questionada.

A encenação da masculinidade

Há algum tempo, um vídeo está chamado atenção de muitas pessoas. Trata-se de uma performance de um lutador que se “transforma” em uma academia do Rio de Janeiro. A transformação em questão se deve ao fato de que o rapaz chamado “Frazãozinho” inicia o vídeo encenando um treinamento de luta e depois nos surpreende com uma dança que poderíamos chamar de afeminada. Confira dois vídeos sobre o tema, um deles considerado um ensaio:

“Não gosto de viado, eu gosto é de muleque e marginal”, ou sobre a trajetória de gays que não sentem atração por gays

Essa foi a frase que chamou minha atenção na virada de ano 2016/17. Foi dita por um homem gay de uns 25 anos, mas endossada por um grupo de uns 5 ou 6, de mais idade. Pude compreender melhor a trajetória desses homens e como se relacionam com outros. Homens que desde cedo sofreram as agruras da homofobia. Segundo a mãe de um deles, seu esposo disse, ao constatar que o filho, ainda criança, era afeminado: “ou ele ou eu! ”. A mãe escolheu o filho e, desde então, tem sido muito próxima dele. O fato, no entanto, revela uma trajetória de violências, muitas das quais, pelo que pude perceber, os sujeitos sequer têm noção.