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É preciso trans-formar o movimento lGbt – Giba
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É preciso trans-formar o movimento lGbt

É preciso trans-formar o movimento lGbt

Ainda hoje encontro pessoas que não sabem o significado de cada letra do movimento lGbt (G em caixa alta, de Gay Governista). Isso porque, desde da década de 80, essa sopa de letrinhas tem passado por mudanças, de GLS, GLBT, LGBT e por último LGBTI, incluindo os sujeitos Intersex.

Por vezes já inclui os sujeitos que se denominam Queers, Assexuais entre outros, e não vejo problemas em colocar o alfabeto e evidenciarmos o quanto cada sujeito é singular.

Nos últimos anos, ao menos nos últimos dois, parte do movimento T tem criticado o movimento social por ser GGGG (Gay, Gay, Gay, Gay) e, inclusive, dito que transexuais e travestis deveriam se separar do movimento. E essas pessoas têm motivos para tal.

Não concordo com essa desarticulação, mas é preciso revermos nossas formas de organização e, está mais do que na hora de evidenciarmos o T em nossas letrinhas, ou seja, transformar o movimento em TLGBI ou qualquer outra ordem que comece com o T.

Colocar a letra T em evidência não significará nada se o movimento continuar com os caciques Gays à sua frente, dizendo que falam em nome de todxs e, por vezes, com posturas machistas, misóginas e transfóbicas.

Diferente do Deputado Jean Wyllys, que acredita que o casamento igualitário fará uma transformação na sociedade (o que ainda não aconteceu em nenhum país onde ele passou a ser permitido, vide o livro Que os outros sejam o normal, de Leandro Colling), penso que as pessoas trans tem mais a contribuir que as cerimônias, os ritos de monogamia e o pleno acesso à divisão de bens, pois elas deslocam as concepções de sexo, gênero, desejo e práticas sexuais.

Não quero dizer que os sujeitos trans estão fora da norma, mas evidenciam que ter um pênis ou uma vagina não estabelece uma verdade sobre o corpo ou gênero. Também não vejo como diminuirmos o preconceito contra as outras letras/sujeitos sem problematizarmos essas concepções lineares e naturalistas sobre as sexualidades e gêneros.

Mas sem leis que protejam os sujeitos trans, seja na saúde, educação ou em outros setores da vida, nada disso será possível. Com o momento das conferências estaduais lGbt é hora de colocarmos em evidencia o movimento T. Escolhermos mais delegados transexuais e travestis ou ao menos garantirmos que ocorra uma divisão igualitária. O que não irá acontecer se for como a conferência passada, em que líderes do governo entregaram papeis com os nomes de quem deveria ser votado e para ter um lugar ao sol na Rede LGBT Governamental, as pessoas seguiram as indicações, pensando em governo e não nos sujeitos.

É hora de transexualizar o movimento, de pensar nossas representações midiáticas e leis que tomam os gays como prioridade, embora esses tenham mais conquistas. Vamos de T, de transformação, porque todxs temos a ganhar.

Gilmário Nogueira

Leo Ribeiro

leoorcruz@hotmail.com

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