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QUANDO O ORGULHO NÃO É SUFICIENTE! – Giba
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QUANDO O ORGULHO NÃO É SUFICIENTE!

QUANDO O ORGULHO NÃO É SUFICIENTE!

Na data de 28 de junho, comemora-se o Dia do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Essa semana vi uma discussão no facebook, onde alguns argumentavam que não é preciso ter orgulho de sua sexualidade, uma vez que todos somos humanos. Esse debate me fez lembrar numa situação que vivenciei.

Alguns meses atrás fiz o acompanhamento psicológico de um jovem de 13 anos de idade. Na época, ele dizia que era travesti. Algum tempo depois disse que ia ser gay, pois gay é respeitado, travesti não!

No segundo atendimento, me deparei com este jovem todo ferido. Com muita calma, sem esboçar nenhum drama, ele me disse que tinha sido espancado na noite anterior, às 20 horas, na rua, por um homem que ele nunca tinha visto. Ninguém o defendeu – o agressor usou de sua força e da omissão dos transeuntes para deixar marcas corporais naquele jovem.

Procurei saber o que ele pensava daquela violência, e ele me respondeu: “normal”. Continuei questionando, até porque é incomum que alguém seja violentamente espancado e considere normal, momento em que ele respondeu: “normal, gay tem que apanhar, se f.*!”

São esses casos raros em que a vítima tem talvez mais justificativas para a violência que o agressor. Foi conhecendo a história de vida desse jovem que entendi porque era tão “normal” ser violentado.

Aos 13 anos, ele era agredido verbalmente na escola. Morava somente com a mãe, que não estava falando com ele naquele momento. O pai tinha dito que se o encontrasse na rua, o mataria. Os rapazes da vizinhança tinham prometido uma surra, outros, ao saberem que ele nunca tinha mantido relações sexuais com outro homem, ameaçaram estupra-lo.

Bar Stonewall, símbolo da luta por direitos iguais.

 

Um dia, ele me contou que o irmão mais novo pegou sua maquiagem, mas ele o advertiu: ”não faça isso, você não vai querer ir para o inferno, ser doente e espancado, é uma vida de sofrimento”.

Como viver num mundo em que todos os olhares te condenam? Como andar na rua sabendo que você pode ser espancado a qualquer momento e que isso não gera ação/reação de outras pessoas? O que esperar do futuro quando sua vida se divide em ameaças de morte, humilhação e violência psicológica? Como viver tranquilo, quando as pessoas o convenceram que você vai para o inferno e que tem uma doença?

É difícil desenvolver autoestima, quando você não é respeitado em seus espaços de sociabilidade, como o lar, a escola, a rua. Os adultos que mantinham contato com esse jovem, usavam seus recursos físicos e emocionais para reduzir sua condição humana, espancavam sua alma. Restou a ele, pensar como os agressores, ver-se através do olhar do outro.

Certamente, se este jovem desenvolver uma consideração positiva por si mesmo, algum sentimento de estima ou orgulho, sofrerá menos. Para isso, é preciso que ele conheça pessoas que o valorizem. Que encontre pessoas que passem por situações similares e se engajem em algum suporte mútuo. A força da solidariedade entre os excluídos tem um poder terapêutico e reparador inigualável.

Mas orgulho não será o bastante, ter respeito por si e autoestima não impedirão os covardes de agredi-lo. Deveríamos ter assim, o Dia do Orgulho e Respeito às Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Intersexos, Assexuados, Queers, e quem mais que quiser viver sua sexualidade conforme seus desejos e sentimentos. Melhor ainda, poderíamos ter o Dia do Respeitador à Sexualidade Alheia!

Por Gilmario Nogueira. 

Leo Ribeiro

leoorcruz@hotmail.com

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